PAN 2007
Acho que chegou o momento de falarmos sobre o PAN 2007, pois está faltando menos de 100 dias para o evento. Vou comentar sobre os esportes que envolvem gramados naturais já em andamento e nos quais estou envolvido diretamente. Antes de falar sobre o assunto, gostaria de chamar a atenção para o problema em que o nosso pais é campeão mundial: deixar tudo para a última hora, ou seja, para o último minuto da prorrogação.
É bom lembrar que o Brasil, mais especificamente o Rio de Janeiro, foi contemplado para a realização do PAN 2007 há mais de 3 anos, e há obras como os campos de beisebol, futebol feminino e hóquei, que ainda nem começaram. Estou envolvido nos campos de futebol do Estádio Olímpico João Havelange (Engenhão) e a pista de Cross Country em Deodoro. Vou falar um pouco de cada uma separadamente, já que são obras diferentes em alguns pontos.
CROSS COUNTRY
Em julho do ano passado, fui procurado pela empresa que ganhou a obra para fazer o projeto de plantio da pista, que tem 5.800 metros de comprimento, com uma largura média de 12 metros, ou seja, em torno de 700.000 m² de área gramada. Este projeto envolvia os seguintes itens: preparo do solo, aplicação de corretivos e fertilizantes pré-plantio, espécie de grama , forma de plantio e manutenção pós-plantio (grow in) – tratos culturais como adubação, controle de ervas daninhas, pragas, doenças, poda, rega, etc.. Quanto a grama, esta espécie teria que ser bastante resistente ao pisoteio, por ser pista de cavalos, e de rápido crescimento, pelo tempo que teríamos para a realização da prova. Hoje sabemos que a melhor grama com estas características é a Bermuda, de preferência Tifton.
Pelas características da grama CELEBRATION comentada na edição anterior, optamos por ela. No percurso da pista , algumas áreas (menos de 10%) ficavam debaixo de árvores, ou seja, com sombreamento excessivo. Para estas áreas optamos pela Santo Agostinho, por ter boa tolerância à sombra. A forma de plantio teria que atender os seguintes itens: custo mais baixo, rápido enraizamento e boa resistência à seca, pois é um local muito aberto, com vento e com altas temperaturas, que apesar de ter irrigação, esta não atenderia 100%, principalmente na fase de plantio. Por isso optei pelo plantio em PLUGS, a forma que mais se encaixa neste perfil. Devido ao tempo curto que teríamos até as provas, o espaçamento especificado foi de 15 x 15cm. Outro problema que teríamos pela frente seria a maneira plantar os plugs, já que a área além de ser muito grande, possui um solo não macio o suficiente para plantar manualmente.
Foi então que tive a idéia de usar uma VERTDRAIN (máquina de aerificar gramado), com vazadores sólidos de 3,5cm de diâmetro e furando a 10cm de profundidade, de maneira que o plug se encaixasse certinho no buraco. Posso assegurar que caso eu não tivesse esta idéia, provavelmente chegaríamos ao PAN ainda plantando plugs. Hoje, apesar de estarmos com 100% da área plantada, ainda enfrentamos problemas diversos, como excesso de chuvas no mês de janeiro , excesso de seca nos meses de fevereiro e março, irrigação com problemas diversos (roubo de canos, registros, cabos e falta de água no reservatório, entre outros), sabendo que água agora é fundamental para o bom desenvolvimento da grama, uso de fertilizantes, etc.
Daqui até o PAN teremos que usar todos os recursos agronômicos possíveis e muita ajuda de São Pedro para alcançar o objetivo desejado por nós e pelos competidores e seus cavalos.
ESTADIO OLÍMPICO
Para aqueles que não conhecem o projeto, o estádio terá 2 campos e 2 pistas de atletismo, sendo 1 do lado de fora sobre a laje do estacionamento, para aquecimento dos atletas, e o campo principal dentro do estádio para as provas oficiais. Os dois campos foram projetados por nós e estão sendo construídos com as mesmas características, exceto na drenagem , onde o campo principal segue o projeto do Maracanã, com espinha de peixe, colchão de brita, areia grossa e topsoil. No de fora (warm up), as espinhas foram substituídas por uma manta de drenagem com uma malha de filamentos de polipropileno interna , revestida nos dois lados por manta geotextil, tendo como objetivo principal diminuir o peso sobra a laje , mantendo uma boa drenagem ao longo do perfil.
A grama escolhida foi a Bermuda Tifton ITG-6 , a mesma do Maracanã, sendo a forma de plantio em MAXIROLO. Terminamos de plantar o campo de fora no fim de março e o campo principal será plantado em meados de abril. O sistema de plantio em MAXIROLO traz uma série de vantagens como rapidez no plantio, pouca área de rejunte e maior rapidez no uso do gramado (maiores informações no site da ITOGRASS).
Tenho certeza que chegaremos em julho, quando se iniciam as provas, em condições de atender a este evento tão importante no mundo dos esportes. Um excelente PAN 2007 para todos.
Paulo Antonio Azeredo Neto
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